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Pesquisa aponta que 87% da comunidade universitária aprova desempenho da Unicamp durante pandemia.

Publicado em 05/10/2020


 

Autor: Felipe Mateus / Fotos: Antonio Scarpinetti, Antoninho Perri /  Edição de imagem: Paulo Cavalheri

 

Os dados obtidos pela pesquisa "Unicamp e o Novo Coronavírus", divulgados nesta quarta-feira (30), mostram que grande parte da comunidade universitária vem se adaptando à dinâmica de trabalho remoto adotada em toda a Universidade após a suspensão das atividades presenciais, ocorrida em 12 de março, após a declaração de pandemia global do coronavírus pela Organização Mundial da Saúde. O questionário foi aplicado entre alunos, professores e funcionários de toda a Unicamp, incluindo os colégios técnicos, Cotuca e Cotil. O saldo positivo da avaliação mostra que 87% dos que participaram da pesquisa estão satisfeitos com o desempenho da Universidade neste período e acreditam que a Unicamp tem conseguido se comunicar e prestar informações à comunidade sobre a pandemia e as novas formas de trabalho.

"Essa pesquisa nos fornece bons insumos para que a administração central continue dando todo o suporte necessário aos docentes, estudantes e funcionários ao longo deste semestre", aponta Teresa Zambon Atvars, Coordenadora Geral da Universidade.

A pesquisa foi desenvolvida pelo Observatório Institucional Unicamp, órgão da Universidade formado por uma parceria entre a Coordenadoria Geral da Universidade (CGU) e o Centro de Estudos de Opinião Pública (Cesop). Na realização desta pesquisa, o Observatório contou com o apoio da Diretoria Executiva de Direitos Humanos (DEDH). No total, 8.391 questionários foram respondidos e enviados no período de 25 de junho a 27 de julho de 2020, o que corresponde a um índice médio de 20,5% de participação. Os resultados foram compilados em quatro relatórios, divididos entre professores  do Cotuca e Cotil, docentes de graduação e pós-graduação, estudantes de graduação e pós-graduação e funcionários. As publicações completas estão disponíveis no site do Observatório. Clique aqui para acessar. 

Coordenadora Geral da Unicamp, Teresa Atvars afirma que pesquisa fornece bases para planejamento.

 

Necessidade de adaptação fez docentes repensarem disciplinas

As informações fornecidas pelos professores mostram o esforço dos docentes em se adaptarem à necessidade de manter as atividades dos cursos de forma remota e explorarem os recursos digitais disponíveis, além de uma tendência já em curso de o corpo docente da Unicamp de diversificarem seus currículos com essas novas possibilidades. Entre os entrevistados, 70,5% afirmam que já utilizavam as ferramentas dos Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVAs) para o desenvolvimento de atividades antes da pandemia, mas apenas 35,5% aproveitavam os recursos de teleconferências. Com o novo cenário, 90% passaram a explorar essas ferramentas em seu trabalho. 

Com isso, 66% dos professores de graduação e 42% de pós-graduação afirmam que conseguiram manter suas disciplinas da forma como elas haviam sido planejadas no início do ano. As principais adaptações adotadas foram a substituição de atividades práticas por um maior número de trabalhos escritos e listas de exercícios enviadas aos alunos. Entre os docentes de graduação, 57% conseguiram adaptar suas disciplinas de forma que, no mínimo, 70% dos conteúdos previstos originalmente pudessem ser ministrados de forma remota. Já entre os docentes da pós-graduação, o índice foi de 43,5%. 

A maior parte dos docentes também relatou ter poucas dificuldades de acesso e uso dos recursos digitais para a realização das atividades remotas. As principais dificuldades relatadas foram em relação à adaptação da dinâmica das aulas, 27,5% informaram dificuldade mediana, e quanto aos métodos de avaliação remota: 24% afirmaram sentir dificuldades em relação a isso. Entre os maiores desafios para o período apontados pelos docentes estão a impossibilidade de manter o contato físico com os estudantes e colegas, a aplicação de avaliações de forma remota e as estratégias para engajar os alunos nas atividades. 

"Parte dos desafios já vêm sendo tratados no âmbito da PRG, a partir da atuação e do auxílio fornecidos pelo GGTE e (EA)2. Com os resultados da pesquisa, os esforços dos órgãos da administração central, das unidades de ensino e pesquisa e dos colégios técnicos poderão ser melhor direcionados aos desafios locais e específicos dos docentes e discentes daquela Unidade" coloca Milena Pavan Serafim, professora da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) e uma das docentes à frente da pesquisa e do Observatório Institucional Unicamp.

ntretanto, 53% dos docentes estão satisfeitos com seu desempenho neste período. A maior parte dos que participaram da pesquisa, 57%, afirma ter recebido apoio da Unicamp, de sua unidade e/ou programa de pós-graduação para desenvolver o trabalho remoto, tanto no acesso e uso das ferramentas digitais, quanto nas adaptações curriculares que foram necessárias. 

Oswaldo Amaral (Cesop) e Milena Serafim (FCA/CGU), docentes envolvidos na realização da pesquisa.

Estudantes: atenção com o bem-estar emocional

Assim como os docentes, os estudantes que participaram da pesquisa também relataram facilidade de acesso e uso às tecnologias digitais para realização das atividades remotas. Do total, apenas 36% utilizavam recursos de teleconferências, instrumentos que passaram a ser explorados por 93% dos alunos. A experiência das aulas remotas mostram que, mesmo adaptados ao contexto do ensino remoto, muitos acreditam na importância da interação em tempo real: 68,5% preferem que as aulas sejam ministradas on-line em tempo real, com a gravação disponibilizada na sequência nas plataformas digitais. 

As dificuldades relatadas pelos alunos também são semelhantes a dos docentes em relação à adaptação dos processos. Os dados mostram uma avaliação mediana da dinâmica adotada nas disciplinas e dos métodos de avaliação empregados. Grande parte aponta como principais desafios a ausência de convívio com os colegas e as dificuldades de manter essa interação, a necessidade de conciliar os estudos remotos com as atividades em casa e a motivação para acompanharem as aulas. Do total de entrevistados, 46% não se sentem mais confortáveis com as atividades remotas e 45,5% não se sentem mais disciplinados, o que mostra uma preferência pelas atividades presenciais, impossibilitadas no momento. 

Apesar de relatarem essas inseguranças quanto ao seu desempenho nas atividades remotas, a maior parte dos estudantes afirma que conseguiu acompanhar, pelo menos, 70% das disciplinas oferecidas. Além disso, mais de 55% relata que recebeu o apoio necessário da Universidade nesta transição. 

Em relação aos impactos do coronavírus na vida da comunidade acadêmica, os efeitos da pandemia na saúde emocional dos estudantes despertam atenção: 70% dos alunos participantes da pesquisa afirmam que se sentem mais tristes durante o período de distanciamento social, sendo que 23% relatam que precisaram de apoio psicológico para se adaptarem a essa nova condição. Para auxiliar o corpo discente neste período, a Unicamp conta com serviços importantes, como o Serviço de Assistência Psicológica e Psiquiátrica ao Estudante (SAPPE), assim como atividades realizadas pela DEDH, como rodas de conversa virtual, vêm sendo desenvolvidas. 

“Os dados mostram que a maior parte do corpo discente tem condições de acompanhar as atividades remotas. A pesquisa torna possível que a universidade concentre seus esforços para auxiliar os cerca de 15% de estudantes que ainda encontram dificuldades, como acesso a equipamentos e local adequado para o estudo”, afirma Oswaldo Amaral, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) e diretor do Cesop.

Indicadores para planejar o futuro

Criado em 2019, o Observatório Institucional Unicamp é um projeto estratégico da Universidade e tem o objetivo de levantar entre a comunidade e junto a outros membros da sociedade percepções a respeito da vivência nos campi, tendência comum em universidades do exterior. As pesquisas realizadas periodicamente fornecem importantes recursos para planejamento e proposição de políticas institucionais. 

"O desenvolvimento de pesquisas institucionais que buscam mensurar e acompanhar o ambiente universitário se alinha às melhores práticas institucionais das universidades. Ter um espaço de captação, identificação e análise de dados e informações da comunidade universitária e seu entorno é de extrema importância e poderá também prover informações que subsidiem o planejamento estratégico da universidade", aponta Milena Serafim.