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Seminários
promovidos pela CGU
A
Universidade Pública na Formação de Pesquisadores
no País
Desde
o século dezoito o pensamento anuncia o fim da metafísica.
Esta forma de operação especulativa tentou, durante todo
o fim da Idade Média e no transcurso da modernidade, impor normas
estritas à pesquisa científica e tecnológica. A batalha
entre os dois elementos é desigual,
Em nossos dias, entretanto, filósofos como Heidegger, escritor profundo e problemático em todos os sentidos, do político ao fundamento do pensar, apontam para a própria técnica e o modo científico a ela unido, como a realização plena da metafísica. Assim, a idéia de pesquisa, estratégica para se falar algo sobre o alvo do pesquisador, não é simples e inequívoca. Tomarei, num primeiro instante, a metáfora que definiu justamente a idéia de pesquisa nos parâmetros metafísicos. Depois, indicarei as modificações trazidas pela com aquele tipo de pensamento, a partir do século 18. Iniciarei meu percurso, como os senhores já podem prever, em Platão, e o terminarei em Denis Diderot. O conhecimento
humano, se descermos até os mais remotos instantes de sua história,
possui facetas quase iguais, mas que não se recobrem. A filosofia,
dentre os vários significados do saber, analisou dois deles, reconhecendo
em sua essência diferenças importantes. A pesquisa, no plano
teórico, recebeu em Platão um tratamento rigoroso, a tal
ponto que as suas formulações se elevaram ao plano de paradigma
de muitas epistemologias definidas na história da ciência.
Se consultarmos o grande texto platônico sobre a cosmologia, o “Timeu”,
notaremos o nexo entre a atitude de pesquisa e o sentido da vista. Assim,
o termo para indicar pesquisa : “zetesis” (indagação,
investigação, procura). No Timeu 47 A, lemos ser a visão
“a causa do maior benefício em nossofavor, sobretudo porque todas
as narrativas sobre o universo jamais poderiam ocorrer, caso o homem não
tivesse enxergado as estrelas ou o sol ou o céu. Mas como assim
é, a visão diurna e noturna e a dos meses e dos anos circulares
produziu a arte do número e nos deu não só a
noção do tempo, mas também a da pesquisa da natureza
inteira”. 1Neste plano, os olhos são a origem da investigação.
Eles penetram os
Buscar
o saber em todos os planos é tarefa que se inicia e se realiza com
os olhos. Não por acaso, a palavra “teoria”, o exercício
do olhar da inteligência, surge na raiz deste conceito de pesquisa
e de sua
Esta
valorização da vista, e da pesquisa que a ela se liga, tem
como pressuposto a tese de que a verdade atingida pela investigação
encontra-se no que é permanente, estável. Deste modo, as
coisas
Lembrarei,
a este respeito, as conhecidas frases de Sócrates, na República
(VI, 508 e ) : “Assim como no mundo visível tem-se razão
de pensar que a luz e a vista têm analogia com o sol, mas seria errado
Na
Carta VIIa, texto difícil e controvertido, Platão afirma,
contra os que julgam fácil comunicar o saber através de escritos
com vistas à divulgação, que a ciência adquirida
através de uma ascese rigorosa, só pode ser captada por quem
a exerce de fato. “Todas estas pessoas”, adianta o filósofo, “que
afirmam ter conhecimento das questões às quais eu me dedico,
bem como os que pretendem ter sido meus ouvintes ... nada entendem do assunto.
Não existe escrito meu, e nunca existirá, sobre isto. Trata-se
de um saber que, à diferença de outros, não se pode
formular, de modo algum, em proposições. Ele resulta de um
comércio repetido com a matéria mesma deste saber, de uma
partilha repetida com ela. De repente, como se acende uma luz ao brotar
a chama, este saber é
Só quem faz ciência é capaz de captar a luz dos conhecimentos. Para isto, o sábio possui, entre muitas habilitações, a força de sintetizar os elementos da pesquisa. Ele é um “sinótico” , capaz de enxergar o todo, e não apenas as parcelas da investigação. Nem todo o pensamento grego leva à radicalidade este modo optico de pensar. Heráclito, por exemplo, acentua o elemento da escuta como base do saber. Nem sempre um sentido, o teórico, predominou na história do saber. Heidegger nota esta diferença, advertindo ao mesmo tempo para não se levar muito longe a possível ruptura com a teoria nos enunciados de Heráclito. Este último proclama : “se não ouvirem simplesmente a mim mas se tivessem auscultado...o logos, então é um saber (que consiste em ) dizer igual o que diz o logos : tudo é um”. Comenta
Heidegger : “É estranho que o pensador comece com um ´não´.
Mas talvez seja sina dos pensadores sempre terem que começar com
uma reconsideração e uma recusa, a fim de que o sim que eles
talvez pronunciem não caia imediatamente no achatamento do que o
homem ouve
Em
“Ser e Tempo” (§ 34), Heidegger, analisa a espinhosa problemática
da comunicação e discute a escuta. Neste instante,
ele faz o elogio do silêncio : “quem, num diálogo, se cala,
pode se “fazer compreender” mais autenticamente, isto é, contribuir
mais para o desenvolvimento de uma
Segundo Heidegger, a filosofia que permite a escuta autêntica, como em Heráclito, foi abafada pelo pensamento que se firmou com a metáfora visual, a teoria. De Platão a Descartes, Kant e a maior parte da filosofia, pensar significa “ver”. Diz
Heidegger : “Desde a Antigüidade até Kant e Hegel, a intuição
representa
o ideal de todo conhecimento”. O termo usado por Heidegger,
“Anschauung”
tem correspondência com a “theoria” grega e com o
“intuitus”
latino, golpe de vista. Esta referência une-se de modo
imediato
ao pensamento especulativo, especular. “Intuitus”, ato de
olhar,
se nota diretamente na idéia da mente como espelho, “intuitio”
sendo
a imagem refletida e “speculator”, o pesquisador que observa,
Por exemplo, em Descartes, a intuição desempenha papel essencial no conhecimento. Este pensador distingue entre dedução e intuição. A segunda seria própria à “inteligência pura e atenta”. A dedução sendo “tudo o que se conclui necessariamente de certas outras coisas conhecidas com certeza”. Em
Kant, na Critica da Razão Pura, lemos que “de qualquer modo e através
de qualquer
meio que um conhecimento possa relacionar-se com os objetos,
o modo
pelo qual ele se relaciona imediatamente aos objetos e para o qual tende
todo pensamento enquanto meio é a intuição”. E temos
o batido
Em
Hegel, leva-se ao máximo refinamento esta metáfora optica.
A vista não
deve, pensa Hegel, para captar o movimento do mundo e dos homens,
ser limitada
a um dos componentes do real. Criticando a representação
abstrata
e unilateral do Ser e do Nada, pedras fundamentais do edifício
metafísico,
a Ciência da Lógica hegeliana adverte que a imagem do ser
como uma
luz pura (entre outros em Descartes, a intuição enquanto
“mentis
purae & attentae ...qui a sola rationis luce nascitur”)
O pensamento erra, buscando no mundo empírico as determinações certas e válidas desde sempre. Quando capta o verdade, o faz por intuição, vista imediata do essencial. O pesquisador, neste ponto, passa ao conhecimento certo -uma parte da filosofia, o ceticismo, aponta nisto o traço dogmático que gela a investigação, com resultados que iludem o pensador e quem o segue- supostamente reais. Tomarei um primeiro desvio neste prisma, um obstáculo já denunciado em Platão e nos seguidores de seus ensinos. Refiro-me ao fato de que “olhar” pode adquirir um sentido que não se coaduna com o bem, muito pelo contrário. Nos olhos encontram-se duas formas de atenção ao que se apresenta: a pesquisa (zetesis), e a curiosidade, a chamada “polypragmosine”. Enquanto o “zetetés”, o investigador, usa os olhos para captar o permanente, atingindo um conhecimento dificilmente comunicável, o curioso recolhe informações sobre tudo e todos, sobretudo das coisas e atos sem relevância para o Bem. Ao redor da mesma imagem, vemos se produzir, na crítica do conhecimento e da moral, duas atitudes diferentes diante do mundo. A mais completa análise da “polypragmosine” encontra-se num tratado de Plutarco, com este nome. O curioso, afirma Plutarco, médico que também se dedicou à cura de outras doenças da alma, como o palavrório, é como a Lâmia mitológica. “Quando dormia em sua casa, ela depositava os olhos num vaso. Saindo, Lâmia os colocava em seu rosto e podia ver”. Todos os homens, quando não se dedicam à pesquisa e à virtude, são Lâmias. Segundo Plutarco, “cada um de nós...põe sua indiscreção em sua maldade como num olho, esquecendo as próprias faltas e taras por ignorância (agnóia), porque não tem o meio de ve-las e de esclarece-las”. (De Curiositate, 2). A pesquisa
sapiente leva ao desvelamento de tudo, trazendo para a luz
dos olhos
as formas permanentes das coisas. A curiosidade também procura
tudo revelar,
sobretudo no plano ético. “A curiosidade”, adianta
Plutarco,
“é a paixão de se conhecer o escondido e o dissimulado. Mas
Plutarco tem uma cura para a curiosidade : a própria pesquisa. Quem se acostumou ao mal curioso, deve curá-lo, de modo homeopático, com ele mesmo. A cura consiste na “transferência da curiosidade, transformando-a em preferência da alma por assuntos honestos e agradáveis”. E arremata Plutarco : “seja curioso do que se passa no céu e na terra, nos ares e no mar (...) Examine (zétei) as fases da lua, imagem das variações humanas (...) Estes são segredos da natureza, e esta não se enraivece que eles sejam roubados...Seja curioso para saber como as plantas são sempre verdes e floridas...”. (De Curiositate, 5). Em
Heidegger, essas passagens de Plutarco são utilizadas ao máximo,
embora
sem citação direta. No afã de expor os males do teoreticismo
ocidental,
aquele filósofo realiza uma junção a meu ver gravissima.
Em “Ser
e Tempo” são evocados os traços da racionalidade presa ao
olhar, à teoria.
Em primeiro lugar, ressalto um ponto que julgo importante. Desde o século 16, os procedimentos ao redor do método se beneficiaram de uma saudável desconfiança no olhar, na teoria. No século 18, sobretudo, se determinou uma nova representação do espaço, não estritamente platônica. Isto conferiu ao espectador, “uma liberdade que antes não era pensável. Este como que se liberta do seu lugar no espaço e pode agora jogar com ele, colocando-se em todos os lugares, adotando as pespectivas e pontos de vista que lhe aprouver (...) A optica moderna autonomiza-se face à visão enquanto tal e passa a conceber-se como ciência objetiva da luz, a qual encontra na geometria a linguagem adequada e segura. Esta ruptura da solidariedade entre a visão e o visível invoca a distinção entre o fenômeno da consciência e a sua causa exterior, correlata, no plano optico, da distinção gnosiológica entre sujeito e objeto”. Os
olhos humanos não servem mais como paradigma natural da visão
intelectiva
e verdadeira. Novos instrumentos opticos ampliam cada vez
mais a
própria visão, corrigindo-a. Já Francis Bacon louvou
as “próteses opticas”
que os homens conseguiram produzir, corrigindo a vista. Assim,
os olhos
deixam seu papel imperialista, e o sentido visual sofre a
concorrência
dos outros sentidos. Em I. Kant e na filosofia das Luzes,
em especial
em Denis Diderot, a vista passa a ser corrigida pelos demais
Herder
é um grande pensador do século 18, com importância
reconhecida até
hoje. Ele fazia notar o seguinte: cada um dos sentidos “tem a sua
linguagem
específica, os seus sinais, os seus tipos e esquemas. E, com
eles,
também um diferente potencial de conhecimentos e de mobilização
Tal doutrina deve-se a Denis Diderot. Contra a metáfora optica (teórica), Diderot escreveu a “Carta sobre os Cegos”, texto nuclear na moderna demolição da metafísica. O pressuposto da “zetesis” com base visual, era o pressuposto da permanência do objeto verdadeiro da pesquisa. Só o que é, pode ser pesquisado. A curiosidade encarrega-se dos acontecimentos mutáveis e das coisas distantes do Eterno. Isto requer a tese complementar da harmonia fundamental da natureza e da sociedade humana. Diderot recusa ao mesmo tempo o símile optico para o conhecimento, e a idéia de ordem para o mundo físico ou humano. Para ele, no princípio e no fim do conhecimento e da ação reside o caos. “O
sentido da vista é o mais superficial”, diz a “Carta sobre os cegos”,
um enunciado
que faria tremer todos os metafísicos antigos e modernos.
Enquanto
isto, o tato seria “o mais profundo e filosófico”. A economia
dos sentidos
é modificada de alto a baixo. No mesmo golpe, inverte-se a
busca
do verdadeiro : não mais o que permanece, ma so que muda, se
transforma.
“O universo”, diz R. Niklaus comentando a atitude filosófica
e epistemológica
de Diderot, “desde toda eternidade, toma formas
Rompe-se
também um lado importante da idéia de pesquisa e de ciência
fundada
na metafísica, o mimetismo entre o verdadeiro, captado pela
vista,
e os demais sentidos. Para Diderot, sobretudo a partir da “Carta
sobre
os Cegos” da “Carta sobre os Surdos e os Mudos”, não existindo a
Já
se disse que os trabalhos diderotianos apenas copiam, ou só consistem
em plágios
de Francis Bacon. Qualquer que seja o juízo sobre este ponto,
o fato
é que Diderot seguiu as propostas de Bacon sobre o método,
e principalmente
sua crítica ao empirismo, de um lado, e ao dogmatismo
É
célebre a imagem do pesquisador, nos textos de Bacon, como símile
de um
animal definido. O empírico, diz ele, é como a formiga :
ele sempre corta
e recorta a natureza e os atos humanos, mas nunca os sintetiza de
modo a
fazer com que o conhecimento avance, sendo inteligível para os
Note-se
que o símile vai no sentido de aproximar os homens, e os pesquisadores,
dos animais. Estes últimos servem para corrigir os erros
e desvios
do suposto “animal racional”. Semelhante atitude, o
O símile dos animais na doutrina sobre o conhecimento, imagem que relativiza ao máximo a forma optica adotada pela metafísica, vem dos pré-socráticos. Plutarco, retroage a Democrito para rastrear as bases desta imagem. “Talvez sejamos ridículos”, diz ele, “quando nos vangloriamos de ensinar os animais. Deles, prova-o Democrito, somos discípulos nas coisas mais importantes : da aranha no tecer e remendar, da andorinha no construir casas, das aves canoras, cisne e rouxinol no cantar”. O autor
do “Capital”, seguindo nisto a idéia de uma diferença ontológica
entre
homens e animais, instala a pesquisa e o saber na plena
consciência.
“Uma aranha” diz ele, “efetua operações parecidas com as
do tecelão,
e a abelha poderia envergonhar muito arquiteto, pela construção
de suas
celas. Mas o que distingue o pior arquiteto da melhor abelha é
que o
arquiteto constrói a cela na sua cabeça antes de construí-la
na cera.
No final de todo processo de trabalho, emerge um resultado que já
Para
terminar, entretanto, voltemos a Diderot, e à sua decidida
via para
retomar o vínculo entre animalidade e humanidade, nisto seguindo
o pensamento
renascentista e moderno. A metáfora optica só conseguiu se
estabelecer
como fonte legitimadora do conhecimento, porque era colocado
o sujeito
humano, retomando a caracterização de Espinosa, como um
“império
dentro do império” natural. Retomando o naturalismo da
renascença,
via Francis Bacon e Montaigne, Diderot indicou uma outra
A comunicação
entre os sentidos dos homens, e entre os próprios homens,
a partir
de Diderot, não podem mais ser reduzidos ao nível zero, como
na tentativa
metafísica. Os ruídos de comunicação aparecem
inevitavelmente, com
as idiossincrasias, os idiotismos. As comunicações
-social e
A partir de Diderot, a junção dos sentidos permite dizer que não há mais a idéia de espaço único, mas pelo menos cinco deles : o espaço optico, o tátil, o sonoro, o cinésico, o olfativo. Cada um destes espaços, qualitativamente diferentes, possui estrutura própria no homem. Se os sentidos operam de modos diversos, é porque eles são descontínuos. Assim, só uma “tradução” de uns aos outros permite captar alguma simultaneidade entre nós e nós mesmos, entre nós e o mundo. “Nossa alma é um quadro movente, segundo o qual nós pintamos sem cessar...o pincel executa em longo prazo o que o olho do pintor abarca num só golpe”. A partir de agora, é preciso “tatear” a alteridade, a ser conhecida, sob pena de reduzi-la ao idiotismo do sujeito. Este mesmo sujeito, é uma reunião instável de orgãos e de sentidos : “todos os nossos orgãos são apenas animais distintos que a lei da continuidade mantem numa simpatia, numa unidade, numa identidade geral”. O eu, arremata Diderot, “resulta da memória, a qual liga um indivíduo a sequencia de suas sensações”. Deste
modo, a pesquisa torna-se algo muito mais difícil, porque ela
supõe
captar a alteridade, mas para isto, não é possível
partir de um sentido
hegemônico, mas de uma reunião instável de cinco sentidos.
Também
não é possível partir de um suposto sujeito inteiriço,
mas de um sujeito
caótico, que se dirige e que recebe mensagens de outros, onde o
pressuposto
é o caos. A ciência e a cultura, deste modo, tornam-se mais
exigentes,
mais incertas. Não é possível mais aceitar a suposta
É
impossível “resolver”, na proposta filosofica de Diderot, os dilemas
da pesquisa
e de sua comunicação entre os homens. Como a unidade não
é originária,
mas resulta do trabalho de tradução de um sentido para os
outros,
o equívoco, os ruídos, sempre existirão. Não
por acaso Diderot
A universidade,
nesta linha, permitiria formar o maior número possível
de indivíduos
para uma comunicação com força para reduzir os ruídos
ao máximo.
Mas para isto, não poder-se-ia esquecer nunca a dificuldade da
pesquisa,
devida ao elemento caótico. Na sua proposta de universidade
Diderot tem plena consciência de que nunca o público e os pesquisadores utilizarão uma só linguagem : “sempre existirão obras acima do alcance comum dos homens” escreve ele. Mas para o filósofo, trata-se mais de saber se convem dar à filosofia (moral e ciências) “uma linguagem, uma forma, uma expressão que a tornem acessível a todos, ou pelo menos a todos que se interessem por ela ativamente”. Diderot, pois, se preocupa com a publicidade e a vulgarização do saber. Num instante em que a niversidade, no mundo e no Brasil, está sendo cada vez mais questionada, sobretudo pela sua separação do mundo social, valeria a pena discutir as teses diderotianas sobre o saber e o ensino. |